Os novos rumos do mercado fitness

Estamos vivendo um momento de proporções gigantescas no que se refere às mudanças de comportamento de compra e utilização do consumidor de atividade física em academias.

Tínhamos um mercado construído e sustentado nas academias chamadas de “posto Ipiranga”. Se podia encontrar tudo nesse tipo de academia. Musculação, bike, pilates, lutas, funcional, ginástica, zumba e etc.  Academias que lutaram por muitos anos, décadas,  para incorporar o máximo de alternativas em suas instalações e com isso atender o maior número de tipos de consumidores do mercado. Tudo parecia correto e funcionava muito bem, mas três fenômenos fizeram com que o que era algo consolidado e promissor se transformasse em algo instável, inseguro e imprevisível.

 

O primeiro fenômeno foi a chegada definitiva das cadeias de academias low cost/low price. Elas chegaram e estão fazendo uma pressão impressionante nos preços para baixo. O binômio ótimas instalações e preços acessíveis tem feito com que elas tenham um resultado de vendas impressionante. Somando-se a facilidade de venda/pagamento do débito recorrente e o fato de os alunos comprarem e não comparecerem para treinar, essas academias chegam a ter 4 alunos por metro quadrado de área construída, quando as academias convencionais, tipo posto Ipiranga, mal chegam em 0,8 alunos por metro quadrado.

O Segundo fenômeno foi o aumento de interesse, de parte significativa da população, por atividades mais específicas. Aulas só de bike, funcional ou cross fit por exemplo. Há no mundo um movimento em direção ao que chamamos de nicho. O mercado consumidor está deixando de comprar em grandes fornecedores que vendem produtos e serviços genéricos (academias tipo posto Ipiranga) e migrando para pequenos fornecedores que oferecem diferencias que são mais específicos e inovadores(academias de nicho). Esse fenômeno é explicado por Chris Anderson em seu livro CAUDA LONGA.

Em função das dificuldades de deslocamento nos centros urbanos, o acesso maior à internet e ainda o desejo de fazer atividade em grupos menores, os consumidores estão migrando para o mercado de nicho. Ao invés de procurar uma academia que também tenha aulas de bike, muitos estão preferindo buscar uma academia especializada em bike.  

E o terceiro fenômeno é a inédita, desde 1998,  crise econômica que assola nosso mercado nacional. Há uma contração muito forte na economia desde 2013 e o mercado de serviços é impactado de maneira inclemente. Não há uma academia sequer, mesmo as de nicho, que não tenha tido uma queda em suas vendas e também em seus ativos. O volume de venda espontânea caiu muito e as desistências também. O saldo é diminuição dos lucros, diminuição dos investimentos, aumento das demissões e um ambiente empresarial estressante.

Há muitos casos de fechamento de academias.

Os fornecedores de equipamentos não conseguem fazer mais vendas, as academias não conseguem inovar e a crise aumenta na mesma proporção de que o dono por não ter formação administrativa, não consegue ter o equilíbrio necessário para buscar alternativas para resolver.

Numa época de crise é que aparecem as oportunidades, sim é verdade, menos para quem mesmo na época de economia forte já não era brilhante. A história do fitness nacional é recente e o mercado é ocupado por empresários intuitivos  e com pouca experiência gerencial, para agravar, nos últimos quase 20 anos, sempre houve demanda reprimida. Havia sempre um novo aluno comprando para cada um que saía.

Agora não e quem não tem experiência com gestão não consegue encontrar “ferramentas” diferentes para enfrentar essa enorme crise.

Digamos que é a tempestade perfeita. Pressão de preços para baixo, consumidor em mutação e crise na economia, num ambiente de pouca habilidade administrativa.

Um estudo recente feito por amostragem mostrou que 65% das quase 35 mil academias do Brasil, não possuem um software de gestão.

O cenário é hostil e não promete mudanças para melhor tão cedo.

O que fazer?

Muito difícil apostar em um remédio só já que há muitos pontos a se considerar. As grandes cadeias já começaram a reagir e partiram para lançar produtos mais atualizados e em sintonia com o novo consumidor. A maioria das providências estão relacionadas à fazer ajustes na estrutura que já têm com a intenção de oferecer num local de grande concentração de pessoas, um espaço pequeno que se pareça com uma academia de nicho. Fácil de imaginar que não funcionará.

Além disso, elas têm elaborados planos de abrir outros modelos de academias para atender esse tipo de público mais específico e ainda baixando preços.

As academias menores e genéricas tem tentado de tudo e a maioria incorre no erro de baixar preços e aumentar o volume de produtos a serem oferecidos. Quando o mercado está dando sinais de que quer algo mais específico, eles estão oferecendo mais generalidades. Um erro.

Na outra ponta, os novos players de modelos de negócio mais específicos, estão entrando com preços mais altos e se aproveitando da novidade e da demanda crescente do mercado.

Isso tem deixado os operadores de academia antigos muito intrigados e confusos, pois alguns desses novos players estão com performance boa de vendas, mesmo com a crise.

Estamos numa revolução de conceito e tudo agravado pela crise financeira.

Quem conseguir se ajustar rápido terá uma vida empresarial saudável e duradoura. Quem não souber compreender o que está acontecendo, não conseguir se ajustar e ocupar o seu espaço, não terá mais espaço.

Não há uma receita mas parece que o mercado está se dividindo em dois lados. As academias que vendem e as academias que tentam entregar resultados.

Se escolher apostar na venda, melhore a cara de sua academia, baixe o preço e aposte no volume.

Se escolher entregar, saiba que há uma  tradicional dificuldade das pessoas incluírem consistentemente a atividade física em suas vidas, e portanto escolher tentar entregar vai demandar um aumento significativo na sua qualidade de atendimento. Talvez o caminho seja ficar menor, com custo menor, atender melhor menos clientes e cobrar preços que justifiquem esse esforço maior.

É uma idéia, mas não a definitiva.

 

Almeris Armiliato

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